No último dia 5 de julho, tive a profunda graça de participar do Septenário da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, localizada na Zona Leste de São Paulo. A atividade ocorreu a convite do pároco e meu grande amigo, Pe. Paulo Sérgio Bezerra. Na ocasião, coube-me a responsabilidade e o privilégio de presidir a missa e refletir junto à comunidade sobre o tema “A Paz e a defesa dos excluídos”.
Durante a reflexão, explorei, de modo especial, a contundente afirmação do Papa Leão XIV na Encíclica Magnifica Humanitas (nº 36), que nos recorda uma verdade urgente: “Não haverá paz enquanto houver excluídos”. A partir desse princípio fundamental, pontuei que a paz que somos chamados a construir na história não pode ser confundida com a antiga Paz Romana — que nada mais era do que o fruto do subjugamento, do silenciamento e da imposição da força sobre os vencidos para a manutenção de uma ordem injusta. Pelo contrário, a verdadeira paz, aquela trazida e testemunhada por Cristo, é fruto maduro da justiça, da partilha e do reconhecimento pleno da alteridade do outro.
Essa bendita ocasião foi também uma oportunidade fecunda para apresentar à comunidade o meu livro mais recente, “Além do amém: como se proteger de pregações abusivas”. Trata-se de uma obra escrita justamente com o intuito de oferecer ferramentas analíticas que ajudem a identificar dinâmicas de coerção e abuso de poder na esfera da fé, promovendo o letramento sociológico e uma maturidade espiritual verdadeiramente livre. Agradeço imensamente à comunidade da Paróquia Nossa Senhora do Carmo por ter respondido de forma tão carinhosa, calorosa e acolhedora a essa oferta literária.
Nenhum encontro se faz sozinho, e expresso aqui minha gratidão sincera aos companheiros que tornaram este momento memorável. Meu muito obrigado ao Itamar Barreto, pela sensibilidade e generosidade nos registros fotográficos que eternizaram a beleza dessa noite, e ao Sílvio, pelo suporte fundamental na mediação e distribuição dos exemplares aos leitores, cuidando para que a obra chegasse a tantas mãos.
Que Deus abençoe a todos os paroquianos e, de modo muito especial, sustente e revigore o ministério profético de meu irmão, Pe. Paulo Sérgio Bezerra, cuja caminhada segue sendo um farol de acolhida e justiça na periferia de nossa cidade.