Para Além do Amém: o Ministério da Palavra e a prevenção do abuso espiritual

No último dia 22 de setembro de 2026, estive na Diocese de Jundiaí para assessorar o encontro do clero local, a convite de seu bispo diocesano, Dom Arnaldo Carvalheiro — que é o bispo referencial para a Rede Nacional de Grupos de Católicos LGBTQIA+ (REDE), iniciativa da qual também participo e acompanho de perto.

Foi uma manhã de acolhida fraterna, partilha, escuta mútua e trocas muito enriquecedoras com os presbíteros e diáconos presentes. O foco da nossa conversa foi a enorme responsabilidade ética que envolve o ministério da palavra. Refletimos sobre os riscos e dinâmicas do abuso espiritual — em especial como certas formas de pregação, ainda que sutis, podem manipular consciências e ferir liberdades. Discutimos caminhos para que o anúncio seja sempre espaço de cuidado pastoral, emancipação e respeito à dignidade de cada pessoa humana. Embora o foco tenha sido o abuso espiritual, questões ligadas à diversidade e à inclusão também emergiram naturalmente no diálogo, revelando a sensibilidade e o interesse do clero pelo tema.

A ocasião foi também uma oportunidade para apresentar meus trabalhos mais recentes: compartilhei reflexões do meu livro Para além do amém: como se proteger de pregações abusivas e divulguei o curso formativo Meu lugar à mesa negado. Essa experiência traduz o compromisso da minha atuação como professor, escritor, pesquisador e comunicador: colocar a reflexão teológica e acadêmica a serviço do diálogo prático com as lideranças, fortalecendo uma cultura de liberdade e acolhimento na Igreja e na sociedade.

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